sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Esperarei por ti


até que todas as coisas sejam mudas
 
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.



 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Nós aqui


Ainda bem que o natal acabou
logo que soaram as doze
descolei os lábios da mesa
vomitei as doçarias todas
para cima das notícias
que anunciavam a morte
algures onde o natal
é regado com sangue
e as rolhas das garrafas
são tiros cegos e certeiros
matam velhos e crianças
em natal ou em belém
para o ano haverá mais
se a dor aguentar até lá
nós aqui e eles no inferno
uma data é uma data
e é preciso comemorá-la
com sangue e com lágrimas
um dia os meus lábios ficarão para sempre
agarrados à toalha de linho.




Carlos Alberto Machado

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Poema de Natal


Assinaste o teu nome
em papel sufocante
impressão bem à vista
xis escudos por página
um livro repleto
de palavras amestradas
pra oferecer no Natal
ou isso ou umas peúgas.




Carlos Alberto Machado

sábado, 21 de dezembro de 2013

Pergunto


Quando repousarei
Ausente sem sofrer
Qualquer ausência?




   Daniel Faria
 (foto de Katia Chausheva)