domingo, 24 de janeiro de 2016




Para o caso de chover na tua rua
 e quereres enxugar o corpo 
entre meus braços 
Para o caso de o silêncio te acometer 
e recordares a língua estranha 
que aprendeste a meu lado
 Para o caso de regressares
humedecendo as lembranças de luas 
Para o caso de o trópico te reclamar
 impaciente entre seus verdes
 Ou para o caso de ser noite na tua morada 
deixarei aberta a porta.






 Josefa Parra

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016




Diz-me palavras bonitas, diz-me que eu sou o teu barco e a tua viagem, a tua noite sobre a minha pele, o teu olhar na vertigem das mãos. o cigarro que arde no escuro dos espelhos, o pedaço de laranja que me ofereces , boca a boca. Vejo todo o horror do mundo quando aqui não estás. torna-se difícil erguer-me, torna-se difícil entender o que dizem e porque riem. há uma tristeza negra a escorrer pelas paredes, um sono da noite que se agarra à alma. enterrando-a em territórios longínquos, sem sentido. e eu refiro as palavras que tu já conheces, como se as dissesse pela primeira vez.- um lume flutua na fala. um lume queima os teus lábios e eu choro de alegria para dentro de mim. 






 Al Berto   (Diários)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016




o relógio, o chefe, os sapatos, as gravatas o aspirador, o fogão, o mecânico de automóveis, o transito, a tv, o sofá, o café, o tabaco, as chuvas, as luas, as chaves, as portas, a rede, a sede, o jardim, o gato, o aquário onde demasiados morrem afogados para lá da linha do equador. Então no limite da lucidez ou talvez da inconsciência, as palavras transformam - se em interrogações, o que foi feito de nós. Onde está a pessoa que eu sonhei, que eu queria ser, ou simplesmente o que eu conhecia! Chamam inconstantes aos que fazem demasiadas perguntas, e é solitária a procura das respostas






 Raquel Serejo Martins

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016