segunda-feira, 7 de março de 2016




Por debaixo da luz condicionada dos calmantes
 adormeceram versos que não posso acordar. 
O quarto cerrado sobre o bosque, 
musgo indecifrável,
 a tundra do escuro
 E chove. 






 Joaquim Manuel Magalhães
 (Foto de Katia Chausheva)

domingo, 6 de março de 2016





Agora de ti não sei nada. Não desejo saber nada. 
Basta-me lembrar-te como quem recorda uma música e com ela
 chegam coisas cravadas de um outro mundo 


 Pedro Paixão





sábado, 5 de março de 2016




A minha boca enchia-se de areia, pedras e peixes pequenos entravam-me pelas narinas e pelos olhos turvos de sal, 
o impulso da água levava-me pela teia do mar, tropeçando num coral de gesso. 
Talvez os peixes sejam sinais de uma luz que armou o pano em vela de cruz aberta ao mar, 
onde ninguém sabe qual é o meio, se a guerra se a espuma. 






 António Ferra

sexta-feira, 4 de março de 2016




foi julieta por chorar 
romeu distante
 quem salgou o mar? 






 Mário Osório
 (Foto de Ezgi Polat)

quinta-feira, 3 de março de 2016




destruí as tuas fotografias: és agora uma lembrança indecisa. 
Ou um murmúrio, um som que prolonga o vazio. 






 Rui Nunes

quarta-feira, 2 de março de 2016




Hoje entardeci mais despida do que antigamente. 
Não sei se pelos bosques tão devastados 
se pelas bagas que colheste do meu dorso. 

 À tua sombra todos os amores são silvestres, 
só as amoras são frutos impossíveis. 






 Catarina Nunes de Almeida
 (Foto de Anna O)