quinta-feira, 14 de julho de 2011

MAGNÓLIA






Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer de uma magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas — podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito, acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia — e essa é a verdade — cresce sempre
Apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti. E a flor que te estendo,
Mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais, por muito que a ame,
A colherei.

A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão





Daniel Faria

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Das manhãs





Levantou-se a manhã nos meus cabelos
Como se fosse um pássaro em viagem.
E eu estendi as mãos para tocá-los
Não sei se por amor se por coragem.
Então dormiram estrelas no meu leito,
Então domei corcéis de solidão.
Por ti rasguei estradas sobre o peito
Para poder chegar ao coração






Joaquim Pessoa








terça-feira, 12 de julho de 2011

Sem saber





Um dia um desconhecido virá ao meu encontro na rua , e dirá:


conheço-te, sou a tua imagem perdida numa noite dentro do espelho.
Ficarei a olhar-me no seu rosto exactamente igual ao meu,


sem saber por onde fugir-me




Al Berto

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Paro





se não me queres no vento agreste
paro de te soprar no coração...







valter hugo mãe

sábado, 9 de julho de 2011

Desacertos





Que trabalho exasperado, o da língua,
essa em que dizes com mão insegura
desvios, des
acertos, desalinhos


Eugénio de Andrade