Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus
domingo, 8 de maio de 2016
sábado, 7 de maio de 2016
Foi no verão que a aprendeste, com dedos afeiçoados aos instrumentos da paciência, a entrar na noite.
Medias então os dias com rigor de lábios, declinando o mel e a sua sabedoria.
Sempre partilhaste a casa, meu perdulário, na confluência das águas e da sede.
E enquanto aguardavas a violência do silêncio, passavam as aves
Eugénio de Andrade
(Foto de Laura Makabresku)
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Não deites fora as cartas de amor
Elas não te abandonarão.
Passará o tempo, apagar-se-á o desejo
- essa flecha de sombra -
e os rostos sensuais, inteligentes, belíssimos
ocultar-se-ão em ti, no fundo do espelho.
Cairão os anos. Cansar-te-ão os livros.
Decairás ainda mais
e perderás até a poesia.
O ruído frio da cidade nos vidros
acabará por ser a tua única música,
e as cartas de amor que tiveres guardado
serão a tua última literatura.
( gosto tanto deste poema)
Joan Margarit
quarta-feira, 4 de maio de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
domingo, 1 de maio de 2016
dos meus filhos
Agora que o indeciso mês assentou
em dois ou três episódios - uma telha
que se fez manancial onírico de dois gatos,
por exemplo - posso recuperar
o fio de música que me escapou todo o ano
e despenhar-me sem pejo
na intimidade com os gritos mais sinceros.
O que dissolve nas sombras desta casa
é o vil trono da minha juventude
Vasco Gato
"Primeiro Direito"
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