sexta-feira, 9 de setembro de 2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016




Num muro branco desenhas as alegorias do repouso, e é sempre uma rainha louca jazendo sob a lua sobre a triste erva do velho jardim. 
Mas não fales dos jardins, não fales da lua, não fales da rosa, não fales do mar. Fala do que sabes. 
Fala do que vibra em tua medula e produz luzes e sombras no teu olhar, fala da dor incessante dos teus ossos, 
fala da vertigem, fala da tua respiração, da tua desolação, da tua traição. 
É tão obscuro, tão em silêncio o processo a que me obrigo.
 Oh! Fala do silêncio! 






Alejandra Pizarnik
 (Foto de Ezgi Polat)

segunda-feira, 5 de setembro de 2016




A perda do amor é sempre dano, 
sente-se que alguma coisa foi
 pelo cano abaixo, mas o amor tem
 a coisa de poder voltar. Às vezes 
não volta ou então é apenas
 fingimento, não passa de uma
 cadeira onde nos podemos sentar






 Helder Moura Pereira
(Foto de Ezgi Polat)

sábado, 3 de setembro de 2016

cai sete vezes




minha primeira queda
 não abriu o para-quedas

daí passei feito uma pedra
 pra minha segunda queda 

da segunda à terceira queda
 foi um pulo que é uma seda 

nisso uma quinta queda
 pega a quarta e arremeda

na sexta continuei caindo 
agora com licença
 mais um abismo vem vindo 







 Paulo Leminski

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Contra argumento




a casa é um nojo sem ti o lava-loiça o quarto 
de banho os lençóis sujos a comida a apodrecer
 no frigorifico tu melhor que ninguém sabes que difícil

 é conviver com um tipo como eu incapaz de enfrentar 
assuntos tais como lavar a roupa o cesto 
das compras a escolha de detergente ou a solidão 

 a minha vida é um nojo sem ti. 



(Para a Vanessa)



 Pablo García Casado