Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus
quarta-feira, 30 de abril de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
Os olhos rasos de água e solidão
estava nua, só um colar lhe dava
horizontes de incêndio sobre o peito,
a transmutar, num halo insatisfeito,
a rosa de rubis em quente lava.
estava nua e branca num estreito
lençol que o fim do sono desdobrava
e a noite era mais livre e a lua escrava
e o mais breve pretérito imperfeito.
só o tempo verbal lhe fugiria,
no alongar dos gestos e requebros,
junto do espelho quando as aves vão.
toda a nudez, toda a melancolia,
a dor do mundo, a deslembrança, a febre,
os olhos rasos de água e solidão.
Vasco Graça Moura
sábado, 26 de abril de 2014
Por desejo
despem-se diante dos olhos dois corpos de luz
mas a inclinação da luz é rasa
é a fricção dos corpos que ilumina a biblioteca
dos livros perde-se a cor da antiguidade
dos sorrisos inverte-se a obliquidade das palavras
e em silêncio inveja-se a luz produzida
as página e os corpos tocam-se de perto
por desejo, imagino eu que leio só.
André Tomé
sexta-feira, 25 de abril de 2014
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