quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Por vezes


Algumas portas fecham-se ao mesmo tempo que se fecham os corações.
Alguns ficam entalados.





Pedro Jordão

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poema por ti


No espaço do meu corpo há um cheiro de maça verde
e eu habituei-me a esperar-te inteira
à beira do tempo enquanto as esquinas se dobram de espanto
Tu és a certeza nesta viagem pelo amanhecer tranquilo
em que a madrugada se despe das palavras quietas que cheiram a ti
Eu sou a incerteza da partida que sabe a desejo

Antonio Sem

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sinal vermelho


É sempre a mesma curva cega, neste troço de pedra lascada,
não há como escapar às primeiras chuvas
ao piso escorregadio dos olhos,
despiste, falésia mortal,
o coração não entende sinais vermelhos





Renata Correia Botelho

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dias Assim

Se me esfolassem agora
encontrariam o teu nome
colado num dos meus ossos

De mim, continuariam a nada entender





Manuel Cintra

sábado, 13 de novembro de 2010

Gotas de colírio



...E de poemas

Os teus lábios parados eram a noite, o abismo e o silêncio das ondas paradas de encontro às rochas. O teu rosto dentro das minhas mãos. Os meus dedos sobre os teus lábios e a ternura, como o horizonte, debaixo dos meus dedos. Os meus lábios a aproximarem-se dos teus lábios, a aproximarem-se dos teus lábios, a aproximarem-se dos meus lábios... teus lábios.

José Luís Peixoto