sábado, 31 de outubro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Recado


nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar


Al Berto


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Essa miuda faz-te acreditar

Essa miúda é um exagero
Diz que sem ti não sabe voarE tu adoras voar com ela
E enquanto inventas espaços novos
Ela vai arquitectando uma teia
Para te aconchegar...

Jorge Palma

O que me basta

A mim,
basta-me o espanto da flor que murcha
quando,
no mesmo ramo,
outra flor expande as pétalas ao sol.


Al Berto

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Apaga as estrelas


Recolho o mel, guardo a alegria e digo baixinho:
Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.





Al Berto

O silêncio

Mais cedo ou mais tarde o silêncio virá
perguntar por ti

Albano Martins

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pouco esperar


Guardas tudo de mim
não sei se entendes
a ternura da dádiva –
também não te pergunto…
Para quê?O meu amor é isto:
desejar-te em segredo
pouco esperar do que vier de ti
E nada te pedir.

Maria Aurora Carvalho Homem

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Precisamos de rituais



Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto hei-de estar toda agitada e toda inquieta:: fico a conhecer o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca vou saber a que horas hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...
Precisamos de rituais
Antoine De Saint-Exupery

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

Dias assim

Entraste na casa do meu corpo,
desarrumaste as salas todas
e já não sei quem sou, onde estou.
O amor sabe.
O amor é um pássaro cego
que nunca se perde no seu voo.

 
Casimiro de Brito

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Gosto..


Gosto do arrepio da tua língua na minha nuca,
Gosto que me digas quero mais
Quando creio já te ter dado tudo...


Inês Pedrosa

Como dizer-te


Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim
é o sol, o fruto, a criança, a água,
o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.
Herberto Helder

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Deixa que os meus olhos..


Deixa que os meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus...
Olha por mim, proteje o meu sonho
Vigia o meu descanso e afasta-me de todas as mágoas
Com os teus beijos apaga as lágrimas que correm pelo
meu rosto
Envolve-me nos teus braços e, cuida de mim
Preciso do teu apoio, do teu abraço, do teu sentido
Deixa-me descansar e,
Adormecer no teu peito
Deixa que os meus olhos durmam
nos teus...
Deixa-me sonhar
Deixa que sonhe com a tua boca
Com as tuas mãos, com os teu beijos,
Com teu corpo na minha pele
Com o teu calor a queimar-me por dentro
Com tudo o que quero de ti
Deixa que os meus olhos despertem
com o sol a romper nos teus olhos...

Albano Martins

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Noites Assim

É como se a noite se molhasse
repentinamente, quando choras.
É como se o dia se demorasse,
quando te espero e tu te demoras.


Albano Martins

Lugares a sul

Onde passou o vento
são altas as ervas,
e os olhos água
só de olhar para elas.

Eugenio de Andrade

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hoje


Porque não vens agora, que te quero,
E adias esta urgência?
Prometes-me o futuro e eu desespero.
O futuro é o disfarce da impotência...
Hoje, aqui, neste momento ou nunca mais.
A sombra do alento é o desalento...
O desejo é o limite dos mortais.
Miguel Torga

Lugares


As vezes perco-me em alguns lugares teus...
Especialmente nesses onde guardas a ternura

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Eis-me


Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face
Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio
Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente









Sophia de Mello Breyner Andresen


domingo, 4 de outubro de 2009

Dedicado


mana
Ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre no
mesmo sítio se fecharmos os olhos
serás sempre tu e tu que me ensinarás
a nadar seremos sempre nós sob
o sol morno de julho e o véu ténue
do nosso silêncio será sempre o
teu e o teu e o meu sorriso a cair
e a gritar de alegria ao mergulhar
na água ao procurar um abraço que
não precisa de ser dado serão
sempre os teus e os teus e os meus
cabelos molhados na respiração
suave das parreiras sempre as tuas
e as tuas e as minhas mãos que não
precisam de se dar para se sentir
ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre
juntos nesta tarde de sol de julho
a nadarmos sob o planar sereno dos
pombos no tanque pouco fundo da
nossa horta sempre no tanque fresco
da horta que construíram para nós
para que na vida pudéssemos ser
mana e mana e mano sempre..
José Luís Peixoto

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Por dentro de mim


Então beijo-te: e é como se tocasse o sol, como se a sua chama me queimasse, sem doer, ou como se a luz entrasse por dentro de mim


Nuno Judice






Estranha forma de vida

...Que estranha forma de vida tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
Coração independente
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr...

Alfredo Duarte / Amália Rodrigues

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Noites Assim


Se não me amas, porque me avisas da dor?



Maria do Rosário Pedreira

Outro poema de amor


Outono, pássaro de melancolia
num céu sem cor que não promete nada,
mar de insónia onde o teu corpo paira
ou um aroma de terra molhada


 Eugénio de Andrade