domingo, 29 de junho de 2014

A morte da magnolia



A árvore foi a forma de te ver
 E desci para abrir a casa. 
De me teres visitado e avistado 
Entre os ramos
 Fizeste-me passagem
 Da folha ao voo de pássaro 
Do sol à doçura do fruto. 
Para me encontrares me deste 
A pequenez 





 Daniel Faria

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Still Crazy After All These Years








(B.I.)


Sou de chorar: lugares comuns em filmes irrelevantes; actos de heroísmo vendáveis em múltiplos; sofrimentos com rosto; inteligências ou sensibilidades incompreendidas; solidões; abandonos (a mesma coisa – uma solidão mesmo empenhada, é sempre um abandono, muitos); memórias irrepetíveis e os seus ecos (the way we were, still crazy after all these years, formulações sintéticas em cançonetas); o sexo como entrega/abandono/achamento/epifania – as melhores lágrimas, as mais confusas, inexplicáveis, totais. Sermos livres dá vergonha por sermos presos. Na mesma medida em que sermos presos dá vergonha por sermos livres. As mulheres têm vergonha de ser homens. Os homens têm vergonha de ser mulheres. Todos temos vergonha de sermos pessoas. Humanos. Só. Completamente. E, lá no fundo, sabemos quem pôs em nós essa vergonha – o sacana que não conseguimos deixar de amar mais do a nós próprios. Um nome que é toda (um)a tesão. Deus. E que, para mim, tem o teu rosto, tuas mãos, teus pés, teus joelhos, tua nuca, teu cuspo, tua merda, o teu olhar perdido no horizonte, uma melodia que se apoderou dos meus ouvidos e do meu cérebro como se vinda ininterruptamente dos teus lábios, que me perseguem como um cão misterioso. Foda-se – desculpem-me – mas é a isto que se chama Amor! 






Miguel Martins

terça-feira, 3 de junho de 2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Se eu quisesse, enlouquecia



a imaginação
 pode ser fatal
 lembro a primeira frase de Os passos em volta
 onde querendo se enlouquece 






Miguel Manso