sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dança











Existem momentos em que perdemos totalmente a fala,


em que ficamos totalmente pasmados e perplexos,


sem saber para onde ir.


É aí que tem início a dança




Pina bausch






quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dias Assim





O absurdo como silêncio
a escrita como sangue
a vida como recurso
a fala o sentido o corpo lá fora
o universo dos gestos subtraídos ao fogo.
a tentativa de nomear só o essencial.
um grito errante.
sobre a tua pele.
E os teus olhos.

O meu sal.




Isabel Mendes Ferreira





quarta-feira, 27 de abril de 2011

Eu sei





Eu não sei se estiveste ausente.
Eu deito-me contigo e levanto-me contigo.
Nos meus sonhos tu estás junto a mim.
Se estremecem os brincos nas minhas orelhas
Eu sei que és tu que te moves no meu coração


José Agostinho Baptista

terça-feira, 26 de abril de 2011

E ainda agora


Uma boca e a mão para a dizer.

Fui colhendo a noite, palavras surdas,

o silêncio que a morte continua

sob a pele da madrugada.

Cada dia tenho menos um coração,

menos uma noite. Resta-me a memória

de abril dentro um copo de esquecimento,

o fundo da liberdade

que alguém bebeu de nós:

a canção morena da alegria,

o cravo ao rubro de fundir a paz.

Menos uma boca, uma criança

alada. Menos uma cidade onde a esperança

se cola ao rosto. Os meus passos presos

ao chão são menos o olhar que a manhã

oferece. Mas era uma vez e aconteceu

um dia, em todos os outros desse dia,

por muito tempo e ainda agora:

acordar, pôr o café na chávena

e barrar o pão com a liberdade.

Rosa Alice Branco

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Manhã de Abril





De ti e desta nuvem; desta nuvem

branca como voo de pássaro

em manhã de Abril; de ti

e da íntima chama de um fogo

que não consente extinção;

de ti e de mim fazer um só acorde,

um acorde só; para não te perder.


Eugénio de Andrade


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Dias Assim


Um dia, quando começa, parece igual aos outros. A mesma luz que entra pela janela, ruídos de obras e automóveis, vozes... Mas o que nesse dia me falta é outra coisa: a tua voz, a surpresa de cada instante que me dás,uma luz diferente que não vem de fora, da mesma rua e do mesmo céu, mas de dentro de ti. Assim, o que faz a mudança do mundo e das coisas não é o mundo nem as coisas: somos nós, e a relação que nos prende um ao outro - isso que, não sendo nada para fora de nós, é tudo o que temos nesta vida.

Nuno Júdice


terça-feira, 19 de abril de 2011

Dentro de mim faz sul





Chove.
o mundo húmido, poético
ganha outra densidade
- longe do medo.

gosto de observar a chuva

a paz
nas suas vestes

a chuva é plena de instantes intocáveis

nós somos
simplesmente humanos
.



Ondjaki

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E eu fico a arrumar as minhas mãos

Ofereces-me uma pedra negra mágica que trazes do norte

e as minhas palavras e as minhas mãos detêm-se sem saber

por quanto tempo irão ficar na soleira da noite e do dia

tacteamos os corpos em busca de memórias adormecidas

ocultas por sucessivas camadas de palavras por dizer

deslizamos para o chão sem resposta e o fumo sobe

equilibra-se em nuvem sobre as nossas cabeças e evola-se

em direcção a uma lua vermelha momentaneamente apagada

ao som de bob marley fazes as malas e partes e eu fico

a arrumar as minhas mãos e as palavras atrapalhadas

no fumo desorientado pela ausência de um ponto cardeal

junto cuidadosamente os teus cabelos rubros perdidos

entranço uma bola de fogo e guardo-a na memória

acendo uma dúzia de paus de incenso e imagino uma igreja

de adoradores do silêncio que escorre por entre as preces

a tua pedra negra regressa à minha mão fechada

e ilumina como um sol a minha noite em claro

Virás por uma palavra?

Carlos Alberto Machado

sexta-feira, 15 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fogo Posto


Uma noite em que os teus lábios se esqueceram a quem pertenciam

e chegaram quentes a todos os lugares do meu corpo...


Miguel Patricio

terça-feira, 12 de abril de 2011

O nome do silêncio

Dá-me por esta noite a carne ainda quente de um beijo,

uma pedra de fogo que possa incendiar outra pedra,

dois remos para navegar águas escuras,

...

Um rio, meu amor, dá-me por esta noite um rio

que comece no teu corpo de neve,

atravesse o tempo, a luz vertiginosa,

e se afogue nos meus olhos

...

Eu dou-te o nome do silêncio

Alice Macedo Campos

Que música serias se não fosses água ?


Digo-vos que de alguns lugares não regressamos inteiros