sábado, 30 de janeiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Noites assim


...Quantas vezes senti a rebentar
o coração se ao longe te avistava.
 
Torquato da luz

Palavras



Atravessa-nos um rio de palavras:
Com elas me deito, me levanto,
E faltam-me palavras para contar
Egito Gonçalves

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Queria...


… Queria
prender-te, tornar a perder-te,
achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio
da semana
Helder Moura Pereira

domingo, 24 de janeiro de 2010

sábado, 23 de janeiro de 2010

Uma lágrima

Ergo os braços, escorre-me o riso pintado
E uma pura lágrima
Que estoura como um balão.

Mario Quintana

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um dia


Um dia voltarei à morada das papoilas
colher os versos vermelhos
que semeei na seara.

Um dia o vento estará maduro


Albano Martins

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Á beira de àgua


Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.



Eugénio de Andrade

domingo, 17 de janeiro de 2010

sábado, 16 de janeiro de 2010

Caricias

Há frutos que é preciso
acariciar
com os dedos com
a língua
e só depois
muito depois
se deixam morder.

Jorge Sousa Braga

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E não saber

É mais fácil de longe imaginar
o que seria ter-te aqui presente
do que seria ter-te e não saber
com que forma do corpo receber-te





António Franco Alexandre

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Arte de navegar


Vê como o verão
subitamente
se faz água no teu peito,
e a noite se faz barco,
e minha mão marinheiro.



Eugénio de Andrade

Guarda a manhã

Guarda a manhã
Tudo o mais se pode tresmalhar
Porque tu és o meio da manhã
O ponto mais alto da luz
Em explosão
Daniel Faria

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dedicado


... Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser.

Vinicius de Moraes


domingo, 10 de janeiro de 2010

Domingo






Nos teus lábios civis de domingo
coube todo o açúcar dissolvente dos beijos
e a espuma das palavras convulsas
encalhadas entre os meus dentes e os teus.



Albano Martins

Preciso...


Preciso do amor para resistir à voz do silêncio
Daniel Gonçalves

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Estas palavras


Quem como eu traz desfraldado o coração
sabe o que querem dizer estas palavras.
A pele serve de céu ao coração.
Luís Miguel Nava

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Um dia..

Um dia virei
colado a um verso, embrulhado
numa folha, dobrado
a um canto,
para que os teus lábios
me ciciem, os teus olhos
me beijem
e eu não saiba
e eu não sinta.

Albano Martins

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Preciso


Preciso te abraçar para esquecer este inverno...



Daniel Gonçalves

De novo

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono
Mia Couto

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quero..


Quero o teu coração para meu espelho,
pois no teu coração não me desminto.

David Mourão Ferreira

Braille


Leio o amor no livro
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.
Nuno Júdice

domingo, 3 de janeiro de 2010

O meu amor

Para eu poder ficar contigo


Vou guardar as tuas mäos na paixäo que tenho por ti,
mas näo te posso revelar o meu nome, nem precisas de o saber.
Chama-me o que quiseres, dá-me um nome para que possamos
amarmo-nos.
Aquele que tinha perdi-o no caminho até aqui.
Pertencia a outra paixäo, e já a esqueci.
Dá-me tu um nome para eu poder ficar contigo...

Al Berto