quinta-feira, 29 de novembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Nos dias tristes é Inverno


Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração...



Filipa Leal

sábado, 24 de novembro de 2012

Precário equilíbrio


Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
  Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
  Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
  Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!


Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Calendário das dificuldades diárias


Hei-de sobreviver ao meu próprio caos,
  antes que a noite seja mágoa no poente e, por dentro das manhãs,
  morram os pássaros sufocados de tristeza.
 

Graça Pires

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Portas entreabertas


Não deixes portas entreabertas
Escancare-as.
Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas.
Passam apenas semiventos.
Meias verdades
E muita insensatez.


Flora Figueiredo

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Não digo


Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...



Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

Trouxe o domingo para dentro de casa


Nunca mais regressaste a casa desde agosto.
O teu lugar à mesa ficou vazio. Eu passei a coleccionar
os nomes de coisas distantes, sentei-me a desenhar
sistemas de coordenadas, soletrei os hemisférios
das palavras, regressei às zonas epidérmicas do toque,
à fome anatómica dos gestos, às regiões endémicas
dos sismos, à solidão unívoca das margens dos rios,
ao silêncio lento das magnólias. Trouxe o domingo
para dentro de casa e guardei-o junto ao parto
em que me deste à luz.
Digo: Os dias são todos de morrer.
Nenhuma das memórias que tenho de ti
sabe negar essa evidência.



José Rui Teixeira

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

E pela noite


Quem me dera que a chuva viesse e nos diluísse um ao outro,
e pela noite corrêssemos como um regato em direcção ao mar.


Al Berto

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

Assim tão triste


hay diez centimetros de silencio
entre tus manos y mis manos
una frontera de palabras no dichas
entre tus labios y mis labios
y algo que brilla asi de triste
entre tus ojos y mis ojos


  Mario Benedetti

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Silêncios


Silêncios, silêncios de todos os géneros circulam no meu sangue.
Silêncios inexplicáveis, silêncios que vêm dalgum lado desconhecido
do meu corpo, do sul muito ao sul da memória


Al Berto

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sobre o meu corpo


Eles voltaram, com o rumor da chuva aquecem as mãos.
Aos lábios de pouca idade volta o sorriso extraviado.
A verdade é que nunca soube o nome dessa flor
que nalguns olhos abre logo de madrugada.
 Agora para saber é tarde.
O que sei é que mesmo no sono
há um rumor que não dorme,
 um jeito da luz pousar, um rasto de lágrima acesa
 É sobre o meu corpo que chove


  Eugénio de Andrade

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Tocas-me?


(...)
Aqui onde os minutos são a rua em que nos sentamos toda
a tarde à espera do silêncio, onde o teu corpo pesa a
medida exacta do meu desejo.


Vasco Gato

domingo, 4 de novembro de 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Hoje


Hoje dói-me pensar,
dói-me a mão com que escrevo,
dói-me a palavra que ontem disse
e também a que não disse,
dói-me o mundo.


Roberto Juarroz

Retrato Ardente


Da cintura aos joelhos é que a areia queima,
o sol é secreto, cego o silêncio.


Eugénio de Andrade

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Eternamente tu

 
 
 
 

A Persistência da memória

       Salvador Dali (A Persistência da memória) 

 
Nas cidades podem encontrar-se
relógios que param no último copo,
a lua sobre um táxi
e todos os poemas que te escrevo.


Luis García Montero