terça-feira, 16 de agosto de 2016




Não foi nada, não foi nada: 
podia ter sido amor. 






 David Mourão Ferreira

domingo, 14 de agosto de 2016






(sonho ás vezes com lugares onde nunca estive
 e com um homem que deixou de me amar)







sábado, 13 de agosto de 2016

preciso tanto amar-te




Preciso amar-te por isso digo fica esta 
noite, depois os dias do nosso trabalho
farão luz sobre o tempo. Tenho na cabeça 
a tempestade, tantas vezes recordo aquele 
corpo que não sabia do prazer que me dava,
 tantas vezes acordo e o seu nome quase 
 me escapa dos lábios, reconheço as feridas, 
os golpes todos, se lembro é porque quero 
esquecer. Fica esta noite, mais outra, o
 tempo que demora a cumprir a decisão de
 amar-te. E vamos fazendo o curso dos dias 
com algumas opiniões parecidas e ódios às
 coisas culpadas. A gente que diz coisas 
 de silêncio, os andaimes da cidade tapando 
saídas, as horas certas quando dizemos
 adeus. E que sentido têm estas lágrimas?
 Eu vivo neste ano e já me esqueço de mim, 
apenas vou precisar amar-te, depressa. 







 Helder Moura Pereira

quinta-feira, 11 de agosto de 2016




O verão é feito de coisas 
que não precisam de nome 
 um passeio de automóvel pela costa
 o tempo incalculável de uma presença
 o sofrimento que nos faz contar
 um por um os peixes do tanque
 e abandoná-los depressa 
 às suas voltas escuras 






 José Tolentino Mendonça
 (Foto de Cristina Coral)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016




De nada mais preciso 
para a minha ilusão do Paraíso 







 David Mourão-Ferreira