domingo, 18 de setembro de 2016




Estamos nus como os gregos na Acrópole
 e o sol que nos mira também os fitou. 
Mas fazemos amor de relógio no pulso. 






 Rui Knopfli
 (Foto de Laura Makabresku)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016




Não te dei ouvidos 
Dei-te o corpo todo 
Mas só porque eras
 o intervalo entre
 o caos e o comboio 






 Helder Moura Pereira

quarta-feira, 14 de setembro de 2016




dentro das noites a pensar em ti 
 sabendo: não te vejo nunca mais 






 Ana Luisa Amaral

terça-feira, 13 de setembro de 2016




tudo o que eu gostaria de ter aqui está tão longe, não sei aonde, está longe o amor que às vezes esperava. E não virá
Consolo a minha saudade com fotografias tuas. Mas sei que há muito se apagaram os sorrisos do teu rosto. 
Envelhecemos separados, tenho pena, agora já é tarde, estou cansado demais para as alegrias dum reencontro. 
Não acredito na reconciliação ainda menos no sorriso que fizeste para as fotografias






 Al Berto (Diários)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016




Rega-me - peço-te. 
Carinhosamente. 
Todos os dias. 
Até me deixares morrer.






 Fátima Abreu Ferreira
 (Foto de Anna O)



(obrigada á Fátima pela gentileza, e á Sónia Silva pela inspiração)

domingo, 11 de setembro de 2016




Disseste que se via nos olhos. Que nem um sorriso conseguia esconder. Que me vias, assim. Perdoa-me também; porque eu reparei nos teus olhos. E não esqueço gestos. Por exemplo: quando levaste a mão ao peito como se não conseguisses respirar. Ouvias esta música. Já não te recordas, eu sei. Disfarçaste. Ainda hoje me espanto com o que aguento lembrar. Por exemplo: quando chorei abraçada a ti. Foi assim que nunca mais abandonei o teu cheiro. Mas tu voltaste a dizer que se via nos olhos e eu – o tanto que tentei – só queria enganar-te. Cedi. Não sei bem o que viste. Sei que te arrastei no meu silêncio. Que me acalmou a tua respiração acelerada. Ou a tua mão no meu cabelo. Beijaste-me em prenúncio de tragédia. Não interessa agora. O que aconteceu? A memória será o meu calvário. E isso – tu sempre soubeste – vê-se nos olhos. Tomara eu sabê-lo tão bem: talvez ainda tivesse tempo de fugir. 






 Rafael Alberti