terça-feira, 21 de junho de 2011

Soneto menor à chegada do verão





Eis como o vento
chega de súbito,
com seus potros fulvos,
seus dentes miúdos,

seus múltiplos, longos
corredores de cal,
as paredes nuas,
a luz de metal,

seu dardo mais puro
cravado na terra,
cobras que despertam
no silêncio duro...

Eis como o verão
entra no poema.



Eugénio de Andrade