domingo, 10 de janeiro de 2016




Estás ausente. Com a tua partida sobreveio a tua ausência, foi fotografada como há pouco a tua presença. 
A tua vida afastou-se. 
Só a tua ausência fica, agora já sem nenhuma espessura, nenhuma possibilidade de nela abrir um caminho, de nela sucumbir de desejo. 
Já não estás em nenhum lugar precisamente. 
Já não és preferido. 
De ti, já não está ali nada, a não ser esta ausência flutuante, ambulante. 
Já nada acontece a não ser esta ausência afogada em remorso e tão estéril que se pode chorar por ela. 
Não te deixes invadir por este choro, por esta mágoa






 Marguerite Duras (Textos Secretos)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016




quando o poema é bom
 não te aperta a mão: 
aperta-te a garganta 






 Ana Hatherly
 (Foto de Anna O)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016












Como Miles inclinas-te sobre mim
 Tocas o centro das minhas costas
 Com os dedos 
 teu cabelo agora prateado
 Toca-me como anos - 
 Oh, como o trompete
 Dos teus lábios me lembra o quão 
Pobre tenho sido sem ti






 E. Ethelbert Miller

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016




Sob um céu estranho
 sombras rosas
 sombras
 numa terra estranha 
entre rosas e sombras
 numa água estranha
 a minha sombra 






 Ingeborg Bachmann

domingo, 3 de janeiro de 2016




Sin ti
 me tomo en mis brazos
 y me llevo a la vida
 a mendigar fervor 






 Alejandra Pizarnik
 (Foto de Natalia Drepina)