sábado, 20 de setembro de 2014

Quase um poema de amor



Hoje, também os carros dançam. As casas movem-se levemente. E eu – que mudei de casa e de roupa, de cidade e de cama, de palavras… Eu, que mudei de música e de carro, de saudade, de quarto… Eu – que mudei de computador e de rua, de eternidade e de paisagem, de abraço e de clima… Eu – que mudei de língua e de lágrimas, de deus e de caderno, de crenças e de céu… Eu – que mudei de lume, que mudei de medos… Eu – que mudei de planos, de lençóis, de secretária… Eu – que mudei de óculos e de rumo, de amigos, de champô, de rituais e de supermercado… Eu – que mudei de tudo que em quase nada mudou, mudei de dentro de mim para dentro de ti, meu amor. 





Filipa Leal