quinta-feira, 26 de novembro de 2015





Penso que não sofria com a tua partida. Estava tudo ali como habitualmente, as árvores, as rosas, a sombra móvel da casa sobre o terraço, a hora e a data, e tu, apesar disso, tu estavas ausente. Não pensava que tivesses de regressar. Em volta do parque rolas sobre os telhados gritavam por companhia. E depois eram sete horas da tarde.

Disse para mim que te teria amado. Pensava que já só me restava de ti uma recordação hesitante, mas não; enganava-me, havia ainda estas praias em volta dos olhos, onde beijar e deitar na areia ainda quente, e esse olhar centrado na morte.





 Marguerite Duras

 (volto sempre aos textos secretos)