domingo, 3 de julho de 2016




Está na cozinha, a sopa ao lume, os pratos na 
 mesa, talheres para dois, como se ele viesse. Hoje. 
 Ele não volta, anda embarcado há muitos anos num 
 navio com sal e ferrugem nos porões. Mas ela espera, 
 sabe que ele pode chegar a qualquer momento. Às 
 vezes espreita a telenovela ou as ervas a crescer junto 
 ao muro do quintal. No resto do tempo, faz e desfaz 
o mesmo naperon, para enganar as horas, o frio, 
 a solidão e um corpo esquecido do que é o amor. 






 José Mário Silva