domingo, 6 de dezembro de 2015




Para sobreviver à noite decidimos perder a memória. Cobríamo-nos com musgo seco e amanhecíamos num casulo de frio, perdidos no tempo. Mas, antes que a memória fosse apenas uma ligeira sensação de dor, registámos inquietantes vozes, caminhámos invisíveis na repetição enigmática das máscaras, dos rostos, dos gestos desfazendo-se em cinza. Escutámos o que há de inaudível em nossos corpos. 
 Era quase manhã no fim deste cansaço.







Al Berto
(Foto de Natalia Drepina)